APRESENTAÇÃO

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Fumar ou não fumar?





Não é, infelizmente, novidade para ninguém que o consumo de tabaco está relacionado com um conjunto de doenças que, de uma forma ou de outra, contribuem, de acordo com informação da Organização Mundial de Saúde (OMS), para a morte, por ano, de cerca de cinco milhões de pessoas a nível mundial. A inalação sistemática do fumo do tabaco, com o imenso número de compostos químicos que contém, provocará, muito provavelmente, mais tarde ou mais cedo, situações de sofrimento que nem sempre será possível remediar.
Penso que não valerá a pena tentar descrever neste breve espaço quaisquer cenários de doenças possíveis, a que qualquer fumador se sujeita com muito maior probabilidade que um não fumador. Quase todos nós temos conhecimento de casos de pessoas (amigos, vizinhos, familiares e outras de que apenas ouvimos falar), que não quiseram (ou não conseguiram) pôr de lado o cigarro e acabaram por ser atingidos pela doença e pela morte. E, no entanto, esse conhecimento do risco que se corre quando se adquire ou se mantém o hábito de fumar, nem sempre nos leva a parar e a tomar a única atitude que reconhecemos como lógica: largar o tabaco, fugir da doença e adquirir novos hábitos que nos garantam maior probabilidade de vivermos saudáveis durante mais anos.
Somos como somos, cada um diferente do outro, mas seguramente com algumas semelhanças que conviria não ignorar quando se pensa avançar para a elaboração de uma estratégia de defesa da saúde de todos nós, fumadores ou não fumadores. A continuação da divulgação de informação detalhada e adequada sobre os perigos do tabagismo será evidentemente fundamental, mas não será certamente suficiente se não tivermos a possibilidade de acesso continuado aos órgãos de comunicação social (desde os jornais às rádios e às televisões) de forma a transmitirmos mensagens adequadas que nos ajudem a reacender a capacidade de dizermos não ao consumismo exagerado que nos vai debilitando as certezas e a força de vontade.
Claro que existirão sempre os arautos da firmeza que preferem a força dos decretos que nos conduzirão obrigatoriamente pelos caminhos iluminados da felicidade, protegida pela certeza da repressão prometida que se cumprirá, inexoravelmente, sobre quem se desviar da rota que qualquer maioria decidir considerar a única absolutamente certa. Em qualquer época e em qualquer lugar deste universo à nossa escala, será provavelmente inevitável a entrada em cena, de tempos a tempos, destes personagens que, no fundo, se limitam a trazer a palco a voz do autor da tragédia para nos lembrar que nada se faz sem a força de quem não desiste de trabalhar, hora a hora, sem descanso, para que todos estejamos em segurança felizes e cheios de saúde.

Não propondo qualquer atitude de desobediência à legislação que já foi anunciada e que, segundo se diz, reforçará a proibição de fumar (ultrapassando os limites da legislação até agora existente), parece-me, no entanto, que seria preferível apostar mais fortemente na promoção da saúde de todos, estimulando activamente a opção por estilos de vida saudáveis (com a necessária articulação entre todos os diferentes ministérios e serviços).

Como última nota, e para simples esclarecimento, devo dizer que, ao contrário do se poderia concluir, sou (até esta data) um ex-fumador desde Abril de 2003. Não sou, e espero nunca ser, um qualquer fanático contra os fumadores. Cada um decidirá sobre si mesmo e a sua saúde, e saberá evitar prejudicar a saúde dos outros. E sendo assim, serei sempre solidário com todos aqueles que, sob qualquer pretexto, forem lançados para qualquer rua com qualquer rótulo de ocasião.

26/Novembro/2004

vieira da silva

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