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Guerra contra o Iraque

Guerra contra Iraque





Recuso-me a fazer qualquer tentativa de análise pretensamente política sobre a provável guerra contra o Iraque.
De tudo o que tenho lido e ouvido sobre os motivos que estarão na base da necessidade de destruir não sei quantos milhares de pessoas, nada me consegue demover desta teimosia de dizer NÃO!
NÃO à hipocrisia e ao cinismo dos que, sob o pretexto de governarem, seja em que país for, apoiados em maiorias eleitorais, se atrevem a decidir, sem hesitação, sobre a vida e a morte dos seus próprios concidadãos.
NÃO à covardia de quem não é capaz de semear a esperança no futuro libertando os prisioneiros da fome, e prefere utilizar a sua força económica para calar a angústia dos mais fracos com a crueldade das armas mais ou menos sofisticadas.
NÃO aos autoritários das pseudo-democracias que fecham os olhos à necessidade urgente de contribuir, dentro dos seus países, para o fim das injustiças sociais, e se auto-proclamam providenciais libertadores dos povos a quem oferecem a morte, em troca da possível queda de um qualquer Sadham que eles próprios inventaram e armaram para seu sossego.
NÃO aos titubeantes políticos de trazer por casa que não conhecem outra forma de estar que não seja o conformismo, mal disfarçado, de quem vendeu a alma submissa por meia dúzia de promessas de um lugar ao sol sob o império dos dólares, ou de qualquer outra moeda, que lhes satisfaça a insaciável gula.
NÃO aos falsos católicos, para quem até mesmo o Papa, nos seus apelos pela paz, já se torna suspeito (apesar da dívida de gratidão pela ajuda no desmoronar dos muros do leste), de tão arrebatados que andam pelo fascínio da guerra inventada pelos deuses do dinheiro.
NÃO aos impotentes mascarados de patriotas que correm apressadamente a abrigar-se debaixo da capa dos donos ocasionais deste ocidente apodrecido, na ânsia de aproveitarem as migalhas do fausto banquete de miséria que se adivinha.
NÃO aos crónicos fazedores de opinião, meticulosamente acantonados no conforto dos seus pedestais, que vão inundando as nossas casas através dos canais de

televisão e nos procuram entreter com cenários coloridos por vantagens imaginárias resultantes de uma guerra que temos o honroso dever de apoiar, num gesto magnânimo de solidariedade com os costumados aliados e na gloriosa tradição das velhas cruzadas contra os inimigos da fé e da civilização.
NÃO aos falsos profetas, de direita e de esquerda, que calculam sorrateiramente a oportunidade que possa surgir em cada esquina, e se perdem no aconchego dos lindos discursos vazios quando os que acreditam na força da tolerância e do diálogo permanente entre as nações vêm para as ruas do mundo inteiro mostrar que é possível fazer renascer os valores da liberdade e da fraternidade, para lá de todas as divergências acessórias.
NÃO aos senhores da guerra, eternamente sem rosto e sem pátria, que dormem sem remorsos sobre o manto imenso do constante lucro das transacções sucessivas de mísseis e de bombas que vão espalhando por todos os mercados possíveis, e se lambuzam, despudoradamente, com o sangue dos que vão ajudando a morrer ao longo dos anos e dos séculos.
NÃO!






vieira da silva

25 / 02 / 2003









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